| Resumo: | O presente Relatório de Estágio descreve o meu percurso profissional e investigativo no âmbito do
Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Este relatório
encontra-se dividido em duas partes: na primeira encontra-se uma síntese do trabalho
desenvolvido nos quatro estágios realizados no mestrado; na segunda apresenta-se a
componente investigativa, na qual se desenvolveu um estudo sobre as representações e o papel
que os professores e as crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico atribuem às áreas da Educação
Artística, sabendo, à partida, que as representações das crianças não são indissociáveis das suas
vivências artísticas em contexto escolar. O estudo é de natureza qualitativa, tendo os dados sido
recolhidos através de entrevistas realizadas a seis docentes titulares de turma e às suas
respetivas turmas e a uma docente do 1.º Ciclo do Ensino Básico, que trabalha as áreas de
Educação Artística, em regime de coadjuvação, com dois dos grupos participantes na
investigação.
Os dados obtidos e analisados indicam que, ao nível das representações, os professores do 1.º
Ciclo do Ensino Básico não têm consciência do verdadeiro papel das áreas artísticas na formação
integral dos alunos, considerando que estas fazem parte do currículo pelo seu valor instrumental e
por serem um instrumento facilitador de articulação curricular. A maioria das respostas dos
docentes não evidenciou o reconhecimento efetivo da relevância destas áreas para o
desenvolvimento integral das crianças. Por outro lado, os dados obtidos junto das turmas revelam
que as crianças reconhecem que as áreas de Educação Artística são importantes, por duas
razões principais: por serem divertidas e por permitirem aprender novos conteúdos e desenvolver
novas capacidades. Contudo, não valorizam tanto estas áreas quanto as restantes, uma vez que
despendem mais horas com o Português, a Matemática e o Estudo do Meio. Excetuam-se as
turmas que pertencem à escola que tem em vigor o projeto de Educação Artística, porque os
alunos do 4.º ano consideram todas as áreas igualmente importantes e algumas crianças do 1.º
ano referem que as áreas artísticas são mais importantes por gostarem mais das mesmas. Ao
nível das representações que os alunos do 1.º CEB têm destas áreas, constata-se que elas
decorrem, maioritariamente, das atividades que costumam desenvolver em contexto escolar.
Assim, nas áreas que menos trabalham, as suas representações resultam do que julgam que se
faz nas mesmas, sendo, por isso, menos ricas e concretas. Por sua vez, as crianças que mais
trabalham as áreas da EA têm representações mais abrangentes no que diz respeito às
aprendizagens que estas permitem realizar, atribuindo-lhes maior importância. |