Objetivos de aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
No final da unidade curricular, os estudantes deverão ser capazes de compreender os princípios fundamentais da nutrição aplicada às atividades de desporto de natureza e turismo ativo; interpretar as necessidades energéticas e hídricas em função da duração, intensidade, condições ambientais e características dos praticantes; compreender o papel dos macro e micronutrientes, da hidratação e da suplementação na otimização do desempenho, da recuperação e da segurança em atividades realizadas em meio natural; planear estratégias nutricionais para atividades de curta e longa duração, incluindo expedições; reconhecer as necessidades nutricionais específicas em ambientes quentes, frios e de altitude; interpretar criticamente a evidência científica e colaborar com nutricionistas na promoção da saúde, do desempenho e da segurança dos participantes.
Conteúdos programáticos
Os conteúdos programáticos serão abordados nas aulas teóricas através da apresentação e discussão dos fundamentos científicos da nutrição aplicada ao desporto de natureza e turismo ativo, sendo posteriormente consolidados nas aulas práticas mediante a análise de estudos de caso, discussão da evidência científica, resolução de problemas e aplicação a contextos reais de atividades outdoor. Serão abordados os princípios fundamentais da nutrição aplicada às atividades de natureza, os macronutrientes e micronutrientes, respetivas funções, metabolismo e recomendações, a água, os eletrólitos, e a desidratação, o metabolismo e os sistemas energéticos em atividades prolongadas e intermitentes, as necessidades energéticas, o timing nutricional antes, durante e após o exercício, as estratégias nutricionais em ambientes quentes, frios e de altitude, a suplementação baseada na evidência, a segurança alimentar e a logística nutricional em contexto outdoor.
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos encontram-se organizados de forma progressiva, permitindo aos estudantes adquirir conhecimentos científicos fundamentais e aplicá-los ao contexto do desporto de natureza e turismo ativo. Após a abordagem dos princípios da nutrição, são desenvolvidos conteúdos relacionados com o metabolismo energético, hidratação, necessidades energéticas e hídricas, estratégias nutricionais em diferentes ambientes (calor, frio e altitude), recuperação, suplementação e segurança alimentar em contexto outdoor. A integração de conteúdos sobre logística alimentar, autonomia em atividades de natureza, sustentabilidade e adaptação das recomendações nutricionais às características da atividade e dos participantes prepara os estudantes para planear e fundamentar intervenções nutricionais em diferentes contextos profissionais, promovendo uma atuação baseada na evidência científica e ajustada às exigências das atividades realizadas em meio natural.
Metodologias de ensino e de aprendizagem específicas da unidade curricular articuladas com o modelo pedagógico
A unidade curricular adota um modelo pedagógico centrado no estudante, promovendo a aquisição de conhecimentos científicos e a sua aplicação ao contexto do desporto de natureza e turismo ativo. As aulas teóricas destinam-se à apresentação e discussão dos princípios da nutrição aplicada ao exercício em meio natural, recorrendo à exposição dialogada, à análise das recomendações das principais organizações internacionais e à interpretação crítica da literatura científica. Os conteúdos são organizados de forma sequencial, permitindo compreender a relação entre alimentação, metabolismo energético, hidratação, recuperação, suplementação e desempenho em diferentes contextos ambientais. As aulas teórico-práticas privilegiam metodologias de aprendizagem ativa, incentivando os estudantes à resolução de problemas e à aplicação dos conhecimentos em situações representativas da futura prática profissional. Serão utilizados estudos de caso relacionados com atividades como trekking, caminhadas de montanha, canoagem, escalada, surf, mergulho, orientação, BTT e trail running, em contextos recreativos e competitivos. Os estudantes serão desafiados a calcular necessidades energéticas e hídricas, elaborar relatórios, e a realizar recomendações nutricionais e selecionar alimentos e bebidas adequados às características da atividade, às condições ambientais e ao perfil dos participantes. Será dada especial atenção às especificidades logísticas das atividades outdoor, distinguindo situações de autonomia alimentar, em que o transporte, peso, conservação e acondicionamento dos alimentos condicionam o planeamento nutricional, de contextos em que a alimentação é disponibilizada no local da atividade. Serão ainda discutidas estratégias nutricionais adaptadas a diferentes objetivos e perfis de praticantes, sempre numa perspetiva baseada na evidência científica. As metodologias de ensino articulam-se com a estratégia de avaliação. O trabalho individual promove a análise crítica da literatura científica sobre um tema relacionado com a nutrição nas atividades de natureza. O trabalho de grupo consiste na elaboração e apresentação de um plano integrado de alimentação e hidratação para uma atividade de desporto de natureza ou turismo ativo, considerando os aspetos nutricionais, logísticos, ambientais e de segurança. A frequência escrita avalia a integração dos conhecimentos científicos e a sua aplicação à resolução de problemas. O trabalho autónomo inclui a leitura crítica da bibliografia recomendada, a pesquisa de literatura científica, a preparação dos trabalhos e a consolidação dos conteúdos lecionados, promovendo a autonomia, o pensamento crítico e a aprendizagem ao longo da vida.
Avaliação
A unidade curricular contempla dois regimes de avaliação mutuamente exclusivos: avaliação contínua e avaliação por exame na época normal. O estudante deverá optar por um dos regimes até ao final da terceira semana de aulas. Na ausência de manifestação dessa opção dentro do prazo estabelecido, será automaticamente integrado ao regime de avaliação da época normal. O acesso à avaliação contínua está condicionado a uma assiduidade mínima correspondente a dois terços (2/3) das aulas teóricas e teórico-práticas. Neste regime, a classificação final resulta da ponderação de uma frequência escrita individual (50%), de um trabalho de grupo (25%) e de um trabalho individual (25%). Para obtenção de aprovação, é obrigatória uma classificação mínima de 9,5 valores em cada um dos momentos de avaliação. Os estudantes que optem pela avaliação na época normal serão avaliados através de um exame escrito (50%) e de uma prova oral (50%), sendo igualmente exigida uma classificação mínima de 9,5 valores em cada uma das componentes para obtenção de aprovação. Os estudantes que não obtenham aprovação no regime de avaliação contínua podem realizar a época de recurso, não podendo transitar para a época normal. Do mesmo modo, os estudantes que não obtenham aprovação na época normal podem realizar a época de recurso. O exame de recurso é constituído por uma prova escrita (50%) e uma prova oral (50%), sendo exigida uma classificação mínima de 9,5 valores em cada componente. Em cada ano letivo, o estudante deverá optar por um único regime de avaliação (avaliação contínua ou época normal), não sendo permitida, em qualquer circunstância, a realização de ambos os regimes na mesma edição da unidade curricular. Em caso de reprovação no regime escolhido, o estudante apenas poderá realizar a época de recurso, nos termos do Regulamento de Avaliação em vigor na instituição.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da unidade curricular
As metodologias de ensino privilegiam uma aprendizagem progressiva, articulando a aquisição de conhecimentos científicos com a sua aplicação prática em contextos representativos da atividade profissional. A combinação de aulas expositivas, resolução de problemas, estudos de caso e discussão da evidência científica promove o desenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade de análise e da tomada de decisão fundamentada. A frequência escrita permite avaliar a aquisição dos conhecimentos científicos relativos à nutrição, metabolismo energético, hidratação, recuperação, suplementação e periodização nutricional, bem como a sua aplicação ao contexto das atividades de desporto de natureza e turismo ativo. O trabalho individual promove competências de pesquisa bibliográfica, análise crítica e interpretação da evidência científica, enquanto o trabalho de grupo desenvolve competências de comunicação, trabalho colaborativo e capacidade para traduzir informação científica em recomendações práticas dirigidas a praticantes, técnicos de desporto de natureza, guias ou outros profissionais envolvidos na organização e acompanhamento de atividades outdoor. Esta estratégia de ensino e avaliação assegura que os estudantes desenvolvem competências científicas, técnicas e profissionais compatíveis com a intervenção do licenciado em Desporto de Natureza e Turismo Ativo, permitindo integrar os princípios da nutrição no planeamento, monitorização e gestão nutricional de atividades de natureza e turismo ativo, reconhecendo simultaneamente os limites da atuação do profissional de exercício e a importância da colaboração interdisciplinar com nutricionistas e outros profissionais envolvidos na promoção da saúde, segurança e desempenho dos participantes.
Bibliografia de consulta (existência obrigatória)
Kerksick CM, et al. ISSN Exercise & Sports Nutrition Review Update. J Int Soc Sports Nutr. 2018.
Francisco R, Armstrong LE, Silva AM. Recommendations for Optimizing Research Regarding the Effects of Dehydration on Athletic Performance. Sports Med. 2026.
Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. J Acad Nutr Diet. 2016.
Australian Institute of Sport. AIS Sports Supplement Framework. 2021.
EFSA. Dietary Reference Values for Nutrients. 2017.
Sousa M, Teixeira VH, Graça P. Nutrição no Desporto. DGS/PNPAS. 2016.
Carvalho P. Comer, Crescer, Treinar. 2018.
Mendes AP. Muito Mais do que Proteína. 2024.
Observações
Em cada ano letivo, o estudante deverá optar por um único regime de avaliação (avaliação contínua ou época normal), não sendo permitida, em qualquer circunstância, a realização de ambos os regimes na mesma edição da unidade curricular. Em caso de reprovação no regime escolhido, o estudante apenas poderá realizar a época de recurso, nos termos do Regulamento de Avaliação em vigor na instituição.